Situações Contidas II

Foi há um par de meses. Uma parte, mesmo pequena, foi levada. É como dizem os versos Quintanares:

“Da vez primeira em que me assasinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha…”

Você não vê, por dentro, o chacal, o ladrão da estrada que se tornou… Acha normal, corriqueiro, cultivar sentimentos e não ligar…
E quando decidi te afastar da minha vida, eu te disse para ir, você foi… Por que voltar? O que ganha com isso?
Querido, o quanto eu te amei… O quanto continuei amando por dias e dias, acordava sem parte do mundo… Meu primeiro amor terminara antes de começar.
Mas tive que ver! Você não foi nada do que deveria. Nunca foi meu amigo, nem companheiro. Usou de mentiras, falseou… O que quer mais? Que eu retribua um Feliz Páscoa sem sentido? Que eu releve? Que eu ESQUEÇA?
Você me escreve como se nada tivesse acontecido. Depois do ponto final: nenhum orgulho próprio. Você me decepciona ainda mais.
Não é possível. Os meses podem passar, você pode tentar de vez enquando, mas aqui… A paciência cessou. Comigo você é superficial demais

Situações Contidas

Você chega e eu, ainda surpresa, observo.
As memórias sempre vêm. Inevitável. Fixa em seu olhar, eu queria desvendar o poder das suas mãos procurando as minhas… Um gesto simples. Um sensação difícil de esquecer.
Ainda difícil de acreditar que você voltou. Não sei o que sentir. Você diz estar perdido… Recordo que nunca soube a verdade sobre você… Que é possível que o ‘você’ que eu conheço nem mesmo exista. Mas isso não me impede de ouví-lo…
E você diz coisas bonitas e sem sentido como sempre. Eu ouço. Mas há algo errado. Resolvo não filosofar aquele momento, deixar passar… E você fala… Cada vez entendo menos! Admiro por um instante sua insistência… Chega a ser engraçado lembrar das suas palavras… “Você foi a pessoa mais especial que eu já conheci”… Continua tão superficial quanto agora… Páro com os devaneios e você explica seus motivos de maneira digna…
Começo a olhar em seus olhos fixamente. Você quer dizer algo importante… Digo que pode continuar e de repente…
Acordo. Era um sonho…
Mas o e-mail, que eu não vou responder, continua lá.

Ponto Final

Eu acho imensamente interessante como em algumas situações na vida, assim como frases e orações, é necessário o ponto final. Um GRANDE ponto final.
É difícil? Sim. É complicado? Com certeza! Mas há situações que praticamente exigem isso de você e ainda exclamam em caixa alta, fonte vermelha e, como se não bastasse, piscam para ressaltar: NÃO REPITA O ERRO!!!
Não saia com o erro, não seja amiga do erro, não troque e-mails com o erro, não mantenha o telefone do erro na agenda e nem o email no catálogo de endereços. Apague, delete e resete. É o melhor a fazer quando o erro, do erro, é relacionado a mentiras e jogos com os SEUS sentimentos.
Eu perdôo de coração. Sério. Mas procuro me proteger para não ser vítima do mesmo erro, até porque eu não gosto de ser vítima. Esse papel não fica bem em mim, não mais. Cansei. Acredito que há momentos na vida que simplesmente entendemos isso… Passamos de vítimas à pessoas que superaram e pronto!
Quanto a mim procuro fazer o que é certo, procuro não magoar as pessoas, tenho CONSCIÊNCIA — o que acho o mais importante.
Sim, sim, é bastante óbvio e subjetivo ao mesmo tempo, mas vou fazer o quê? Não mandei o erro errar! Agora o erro que aceite as consequências do seu próprio erro! Deus, e quem me conhece, sabe que eu tenho paciência de Jó! — Não. Talvez Jó fosse mais paciente! (hehe) — Mas é verdade que eu tenho muita paciência para os dias de hoje 🙂
Estou levando para o lado do humor e com certeza fazendo maior do que é, mas é só porque estou de bom humor. Muito bom humor!
Então pra terminar, uma dessas pérolas que eu fiquei admirada comigo:
É PONTO FINAL E NÃO RETICÊNCIAS!

Quando as borboletas fugiram…

Eu sabia que elas fugiriam. Como quando eu aparento ter controle das minhas ações, mas não tenho idéia do que estou fazendo… E pensar nas palavras ditas e não ditas, no quanto o silêncio explicou.
É querer resgatar as borboletas. Te procurar… Porque deixa assim, vai passar… Da mesma maneira em que vieram, entraram janela adentro sem barreiras. Elas foram embora e me deixaram. Mas não igual ao início. Pois isso seria impossível! De algum modo o seu bater de asas, o seu colorido vai estar lá. E eu sei que, vez ou outra, eu vou cair na saudade e perguntar onde elas estão…
Terei vontade de correr, de sentir o que era a presença de tão amável criatura. É aí que pensarei. E saberei que foi o melhor. Não guardarei mágoas nem sentimentos ruins. As borboletas simplesmente foram, e das memórias que guardei… A melhor será a do que nunca foi.

Da Honestidade

Ela anota no caderninho de compras:
Ítem de grande importância: Honestidade
E sublinha duas vezes.
Então começa novamente a epifania. Honestidade seria um grande tesouro para presentear… — diz. Rapidamente, pensa em quem presentearia.
É honestidade uma utopia? Lembra-se, então, do esforço que consiste não ser corruptível. Um exercício diário. Sentenças de períodos curtos se formam e ela tenta parar de pensar.
Honestidade em tudo. Nos relacionamentos. No trabalho. Na arte. No trânsito. Entre pais. Entre filhos. Entre amigos. Entre irmãos. Entre colegas. Em tudo que consiste viver em sociedade.
Sentiu-se decepcionada ao ver a utopia.
Mas não menos encorajada a continuar a não aceitar esse tipo de desvio. Sublevou-se mais uma vez. Como nos textos que mostrava ao professor de História em época de vestibular. Como nas horas de reflexão dos dias livres.
Como ainda acreditava e tentava passar aos que conhecia:
É lindo ser único. Mesmo que as pessoas não o considerem o quanto gostaria que considerassem. É lindo ter sentimentos bons, mesmo que tudo à volta lhe diga que não. É lindo aceitar que errou, levantar-se e seguir um caminho totalmente novo.
É belo e honesto: ser verdadeiro!

Furta-me o sonho…

Eles estão por toda parte. Se infiltram e agem naturalmente. Há os distintos, há os comuns. Ninguém nota, ninguém vê… Um dia alguém observa mínimos detalhes: a verdade obscura que lhes preenche.
Eles negam. Mas sabe-se que não admitem. E negam, e negam, e negam. E continuam sua jornada: roubando sonhos, copiando sonhos… copiam a experiência alheia, tomando-a como própria.
Mentira infantil… arte descartável. Pecam contra si mesmos, pois o artista se supera, o fraudulento se envergonha.
E quando se pensa que há a consciência, não há. Observa-se nas novas safras, nos trabalhos copiados… na alergia de gastar tempo e aprender… Tempo precioso, por que não vêem?
Roubar sonhos parece-lhes doce. Cultivar sonhos… Para quê? – diriam.
Pobres. Pobres. Pobres em dignidade…
E subleva-me. Que vem de sublevare, palavra Latina já presente em tantos dos meus poemas… desde a rebeldia do amor até poesias que consistiam momentos decisivos.
(Pausa para nostagia)
De uma certa forma estou decepcionada. Não-triste, não-alegre. “Indo” – como diria o David. Guardo uma expectiva de anos. E acredito: dessa vez eu desisto. Ele não vai responder.
Resta-me o consolo de minhas teorias. Teorias. Será tão mau ficar só na teoria?
(Um tempo depois)
Já notaram minha capacidade para mudar de assunto no mesmo texto? 😛