Você pode não estar interessado(a)…

Mas pensei em escrever sobre como eu escrevo. Uma meta linguagem boba, de horas sem pessoas e pessoas sem horas. Ok, talvez não o último.
Só que as palavras pra mim — e desde os tempos mais remotos do gH, 2003, e antes dele o blog “sweetgrace” (SHAME!) no kit.net/blogger, — elas, as palavras, raramente vêm do papel. Sim, elas nascem digitais. E eu achava que com todos era assim! Mas alguém que eu não falava há tempos me disse que com ela é diferente. O que trouxe determinado interesse meu no assunto.
Sozinha, escrevendo no último dia 26, momentaneamente desencantada da vida e sentindo grande falta dos dias anteriores (com casa cheia), notei uma depressão inoportuna naquelas palavras. Além da certa depressão, havia falta de coragem. Que atípico, pensei.
Algo irrompeu o silêncio daquele final de tarde… O telefone! Uma amiga, que eu não via há meses, ligou dizendo que vinha me visitar dentro de uma hora. E foi muito bom! Essas coisas são mesmo curiosas.
Voltando…
Um dos meus grandes problemas é ser sentimental. Sempre achei isso. E se não for? E se eu parasse de me punir por isso? Se parasse, por um momento, de me sentir fraca exatamente por sentir? Parar de achar que para ser forte tenho que ser amargurada e insegura…
Engraçado como as palavras vêm. E ficam perdidas numa área de trabalho, ocultas e tão minhas. Não sei se o melhor para elas, e para mim, seria publicá-las. São tristes demais, apesar da poesia do momento. Elas falam sobre o que poderia. E poderia? Uma possibilidade remota, esgotada antes de ao menos estar à disposição.

21

“So I don’t think it’s going
To happen anymore
I don’t think it’s going
To happen anymore
Twenty one
Today
Twenty one

E eu que ia escrever um texto falando sobre o aniversário, resolvi apenas colocar este trechinho da música Twenty one – The Cranberries que simboliza quase tudo que estou sentindo, assim, um aninho mais velha.
Passou tão rápido de lá pra cá.

Este texto não ficará nos Rascunhos

Eu tenho um costume perfeccionista de fazer rascunhos que nunca saem do papel. De projetos pessoais, de textos, de layouts, de ações…
Energia desperdiçada no anonimato que não tem saída.
É um dos meus objetivos para 2007. Planejar menos. Menos no volume de diferentes projetos, não em qualidade de execução. Executar mais. Nem que seja um eterno beta. Realizar, publicar. Mesmo que eu saiba ainda precisa de muito mais suor.
Porque aprendi que o excesso de perfeccionismo é também uma inércia que nos mantém seguros. Seguros demais.
Como manter no coração a pessoa que fez aquela bagunça. Suspirar com as palavras, relembrar as promessas, conformar-se com a perda. Uma vez mais.
De repente é bom ver novas cores, novas pessoas. Novas formas e caminhos na rotina que já se tinha. Acreditar, se perder, renovar. Dar uma chance. Esperar, sem desesperar. E lançar antes do momento apropriado, só para ser diferente.
Diferente do rascunho, da promessa. Do que é, mas não foi. Simplesmente ser…
Deixar ser real.