Eu não podia mesmo ser uma pessoa normal…

Buenas!
Eu não podia mesmo ser uma pessoa normal. Meu pai lia o Analista de Bagé para mim quando eu tinha oito anos. E desde então nunca mais esqueci a Teoria do Joelhaço muito menos os “baguais”. Coisas da vida, como o noivo “Varum” que vivia de capacete e não o tirava nem para dormir. Coisas da vida como a Velhinha de Taubaté… Sim, eu li. Estava no Colegial e não entendi pindaíba. Até que contextualizei e finalmente achei graça. A Velhinha de Taubaté também não morreu pra mim, aliás, está vivinha. E, claro, ainda acredita nos comunicados oficiais do Governo.
Mas houve uma hora que me apaixonei por Machado, sim, o de Assis. E essa coisa de bastilha da razão humana. Casa verde e a neurose de saber quem e o que está certo. E se honestidade é loucura.
Um dia, também, junto com meu amor a LFV e Machado, veio o amor a um francês, piloto de guerra, desaparecido com seu avião no mar e com grande amor a uma rosa. A rosa que ele relatava ter um relacionamento cheio de espinhos. Gosto de lembrá-lo também, como aquele que desenhava sobre aventuras na selva, mas em sua arte as pessoas não viam mais que um torto desenho de chapéu. Este era Antoine-Marie-Roger de Saint-Exupéry. O eterno Pequeno Príncipe.
E mais tarde houve Shakespeare. E seus sonetos. Alguns, quase desconhecidos do grande público, falando de solteironas. Extremamente machista em sua métrica. Mas não menos admirável do que nas conhecidas tragédias.

VIII
Por que ouves tu música tristemente?
Aquilo que doce é, com o doce não briga, a alegria puxa alegria,
Por que tu amas aquilo que não te causa alegria?
Ou porque recebes com prazer aquilo que te enfada?
Se a harmonia de sons bem combinados,
Em sonoras uniões, ofendem tua audição,
Eles só amorosamente estão a ralhar contigo, que confundes
As partes que todas unidas a ti deveriam estar.
Veja como um acorde, lindamente casado ao outro,
Bate cada qual contra o outro em harmonia mútua;
Parecendo homem, mulher e filho,
Que, todos juntos, nota bela cantam:
Cuja canção sem palavras, sendo muitas, parecendo uma só,
Entoam para ti o seguinte: “Tu, sozinha, nada serás.”
(Shakespeare, Sonetos, VIII)

E um dia, também, aprendi com psicanalista de Bagé a não procurar meu verdadeiro eu nos outros. Epifanias em um livro de humor? Claro! Por que não?
(Por Grace Athayde em 12 de agosto de 2006, por volta da meia noite, para descrição de seu perfil no orkut).