Quando as borboletas fugiram…

Eu sabia que elas fugiriam. Como quando eu aparento ter controle das minhas ações, mas não tenho idéia do que estou fazendo… E pensar nas palavras ditas e não ditas, no quanto o silêncio explicou.
É querer resgatar as borboletas. Te procurar… Porque deixa assim, vai passar… Da mesma maneira em que vieram, entraram janela adentro sem barreiras. Elas foram embora e me deixaram. Mas não igual ao início. Pois isso seria impossível! De algum modo o seu bater de asas, o seu colorido vai estar lá. E eu sei que, vez ou outra, eu vou cair na saudade e perguntar onde elas estão…
Terei vontade de correr, de sentir o que era a presença de tão amável criatura. É aí que pensarei. E saberei que foi o melhor. Não guardarei mágoas nem sentimentos ruins. As borboletas simplesmente foram, e das memórias que guardei… A melhor será a do que nunca foi.

Indas e vindas; volta-se para o céu e faz um desejo.

Olhou para o céu. Tudo parecia similar. Não sabia o que sentir, o que pensar. Retomou o vazio do que antes não era… E era? Era uma alegria contagiante! Mas passou, aos poucos, passou. Estava só lá. Pensava nos porquês. Por que sempre pensava nos porquês?
A reclamar do tempo, enquanto o tempo a curava. O caminho sozinha talvez fosse mais fácil agora. Agora que sabia como era o caminho quando diferente. Agarrou-se aos seus objetivos, mais uma vez, e juntou toda a força para engolir o choro.
Havia amanhecido o dia pela metade em muitos sentidos. A chuva caia por dentro. Ela procurava fugir… Abstrair-se! Ser meio onipotente e deletar o que incomodava.
“Engraçado” — pensou. Justo quando acreditara que seguiria o caminho, sozinha, alguém se aproximou para tomar-lhe o coração novamente. E por quê? Que raios de porquês!
Mas a diferença, a vital diferença, dessa vez era um certo otimismo. Um senso de humor perdido, por todo lugar, que não deixava de consolar.
Firme a sua decisão, ela voltou para sua vida e deixou o que incomodava para trás.